Engenho do Linho património isolado

A lei do património cultural português define património cultural com o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo.

O engenho do linho, que a presidência da junta de freguesia de Alpendorada decidiu recuperar, no lugar da Granja, é um exemplar singular aqui na terra. Gentes outrora cultivavam o linho que decorava de azul os campos, como os que circundavam a quinta de Leiria (zona do actual estádio de futebol). Seguia-se a ripagem, o cortimento e a preparação do linho era terminada com a ajuda das máquinas de espadelagem.

A preservação do património é importante porque se trata da «nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às gerações vindouras», UNESCO. Na recuperação de um artefacto do passado espera-se a fidelidade e o respeito da peça original e a possibilidade de ser apreciada com a dignidade e respeito de antes.

A evolução da malha urbana permitiu que, perto do engenho do linho, fosse criado um espaço industrial. Na estrada de acesso ao engenho, eleva-se um barraco aparentemente abandonado, com aspecto de oficina, a julgar pelo fosso, pelas manchas de óleo e pelos restos de objectos de mecânica.


O acesso ao património deverá ter uma entrada digna, caso contrário, pode perder-se grande parte do valor da peça e a sua recuperação corre o risco de não justificar o investimento (34.795,39 - comparticipação; junta de freguesia - 23.196,94). Se o objectivo primário é a recuperação do património, parâmetros como a dignidade tornam-se ténues quando a envolvência é violada.


Com a recuperação da herança concretizada, quem assegurará a manutenção do edifício, o seu brio e, já agora, o seu propósito? Não basta recuperar a peça se depois não se mostra a cultura ao povo, como acontece, em parte, com o Museu da Pedra. Certamente servirá as escolas que requisitarem a sua visita, ou receberá esporádicos turistas, mas isso pode não ser suficiente.



Isto levanta outra questão: a recuperação do património faz parte de uma política sustentada de desenvolvimento do turismo ou é apenas uma medida (simpática) avulsa? É, por isso, fundamental definir estratégias abrangentes de aproveitamento do valor histórico-cultural do património recuperado.

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