A política dos almoços de solidariedade

ou a política nos almoços de solidariedade.
Nesta época natalícia são várias as iniciativas de solidariedade que efectivamente são cada vez mais necessárias mas não apenas nesta altura.

Cada ser humano deve fazer pelo menos 3 refeições por dia (pequeno-almoço, almoço e jantar), o que significa que durante um ano são cerca 1095 refeições.

O Estado e as suas representantes locais - câmaras municipais e juntas de freguesa - têm o dever e a responsabilidade de olhar para a pobreza e exclusão social de uma forma integrada e desenvolver respostas que combatam eficazmente estes problemas.

Tomando em consideração o contexto económico que estamos a atravessar, a afectação de recursos tem que ser mais eficiente do que nunca. Deve haver objectivos estratégicos bem definidos para combater os problemas sociais e que não se misturem com objectivos estratégicos políticos.

A câmara municipal do Marco de Canaveses e algumas juntas de freguesia gastaram alguns milhares de euros num almoço solidário que se limita a resolver, não um dia de necessidades, mas apenas, uma refeição entre as 1095 necessárias.

Estes almoços são um desperdício de recursos e em nada dignificam o ser humano, muito pelo contrário são uma humilhação pública. Com almoços que expõem e rotulam as famílias. E não chega a todas as famílias, porque muitas recusam-se, envergonhadamente, a participar na sobranceria. A intenção até pode ser boa mas é um tratamento pouco ou nada dignificante. Emerge nos ciclos de crise a pobreza envergonhada e não é com esta forma publicitária que se combate esta realidade social.

Por que não canalizar os recursos (alguns dos milhares de euros do almoço colectivo) para um cabaz de Natal mais composto? Para outros apoios sociais necessários - por que a acção social não é só refeições. Poderia assim, a Acção Social atingir os objectivos sociais e económicos eficientemente?

Os apoios da Segurança Social são cada vez mais escassos, por isso é premente fazer uma gestão responsável e sustentável dos dinheiros públicos. Se temos que ajudar (com impostos) para que as famílias sejam ajudadas, aplique-se devidamente o dinheiro dos contribuintes.

8 anos sem mudança

8 anos passaram sem mudança, sem evolução que criasse efectivo crescimento ou notoriedade no turismo do concelho.