"Eu" e os depois de mim

Ainda o Verão quente não terminou e começa, também, aquecer a campanha eleitoral.

O que mais vemos e ouvimos nestas alturas nos vários tamanhos de palco é a invocação a uma eterna, e a meu ver gasta, herança de escolha de candidatos para as listas, os de costume, mais do mesmo, os mesmos de sempre. Opta-se muito pela escolha de profissões, como se isso fosse definição de carácter, trabalho, idoneidade, humildade, seriedade...

A tendência aqui é bem diferente da moda, onde se tenta alterar a cada estações, aqui opta-se por manter - lá está - a cada eleições, onde se ouvem ecos de discursos, gastos e ocos, começa a incutir-se na cabeça daqueles mais moldáveis que o futuro passará - lá está - pelos mesmos e já gastos de sempre, daí concordar em pleno para a limitação de mandatos, de todos os elementos, não só dos presidentes, mas todos e em todo lado.

A vantagem da concorrência

Gosto da concorrência porque incentiva o prestador a procurar distinguir-se, geralmente, oferecendo mais e/ou melhor serviço ou produto aos (potenciais) clientes.

É bom haver três listas concorrentes à Assembleia de freguesia de Alpendorada.

Engenho do Linho património isolado

A lei do património cultural português define património cultural com o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo.

O engenho do linho, que a presidência da junta de freguesia de Alpendorada decidiu recuperar, no lugar da Granja, é um exemplar singular aqui na terra. Gentes outrora cultivavam o linho que decorava de azul os campos, como os que circundavam a quinta de Leiria (zona do actual estádio de futebol). Seguia-se a ripagem, o cortimento e a preparação do linho era terminada com a ajuda das máquinas de espadelagem.

A preservação do património é importante porque se trata da «nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às gerações vindouras», UNESCO. Na recuperação de um artefacto do passado espera-se a fidelidade e o respeito da peça original e a possibilidade de ser apreciada com a dignidade e respeito de antes.

A evolução da malha urbana permitiu que, perto do engenho do linho, fosse criado um espaço industrial. Na estrada de acesso ao engenho, eleva-se um barraco aparentemente abandonado, com aspecto de oficina, a julgar pelo fosso, pelas manchas de óleo e pelos restos de objectos de mecânica.


O acesso ao património deverá ter uma entrada digna, caso contrário, pode perder-se grande parte do valor da peça e a sua recuperação corre o risco de não justificar o investimento (34.795,39 - comparticipação; junta de freguesia - 23.196,94). Se o objectivo primário é a recuperação do património, parâmetros como a dignidade tornam-se ténues quando a envolvência é violada.


Com a recuperação da herança concretizada, quem assegurará a manutenção do edifício, o seu brio e, já agora, o seu propósito? Não basta recuperar a peça se depois não se mostra a cultura ao povo, como acontece, em parte, com o Museu da Pedra. Certamente servirá as escolas que requisitarem a sua visita, ou receberá esporádicos turistas, mas isso pode não ser suficiente.



Isto levanta outra questão: a recuperação do património faz parte de uma política sustentada de desenvolvimento do turismo ou é apenas uma medida (simpática) avulsa? É, por isso, fundamental definir estratégias abrangentes de aproveitamento do valor histórico-cultural do património recuperado.